Foto de Pixabay com Pexels

Metodologia Ágil e Cultura de UX

Em um ecossistema movido pelo digital, a busca pelo desempenho imediato com base na cultura de performance muito pautada pelo marketing, demandou a digitalização de processos para dar mais agilidade na tomada de decisões.

O tempo de resposta às mudanças demandadas foi se tornando cada vez mais curto. A tecnologia permitiu que um projeto que levaria mais de um ano para ser desenvolvido, pudesse estar disponível em uma semana. Era correr ou perder o bonde.

A corrida pela eficácia acabou ditando o ritmo da eficiência. A cada dia, uma nova variante de performance dos funcionários nessa corrida pela corrida era levada aos departamentos de Recursos Humanos para serem transformadas em KPIs.

Foi inevitável que a competitividade que estava fora da empresa, na sua disputa pela preferência do público consumidor, entrasse pelos seus departamentos e transformasse colegas de trabalho em potenciais concorrentes.

A princípio, essa competição foi vista com bons olhos pelas lideranças que viam nela um incentivo à superação de metas e ao maior envolvimento dos funcionários com os objetivos estratégicos da corporação.

Até que alguns líderes começaram a pensar diferente e perceber que ter colaboradores poderia trazer mais qualidade à eficiência.

Thinking como um designer

Foi a aproximação do Design Thinking aos líderes que trouxe uma nova percepção ao comando das equipes de desenvolvimento.

Mais próximo às lideranças, o perfil essencialmente técnico desses líderes passou a ser mais engajado, valorizando as pessoas pelas skills que vão além das técnicas e estratégicas. E principalmente, as que estão atreladas à colaboração.

Foto de Kaboompics.com no Pexels

Assim, o Design Thinking trouxe o UX para o workflows destas lideranças, estabelecendo uma nova percepção desses líderes frente ao valor da Cultura Colaborativa.

Essa cultura aproximou o PMO do especialista em UX com o intuito de influenciar, mobilizar, envolver, facilitar e engajar mais pessoas em torno da colaboração enquanto as skills do produto eram inseridas nesse processo, aumentando a eficiência das conversas com os times de projeto.

Foco do Sprint

Metodologia ágil são metodologias que oferecem agilidade, eficiência e flexibilidade à gestão de projetos.

Inicialmente, o Agile foi pensado para o desenvolvimento de softwares, mas suas técnicas extrapolaram o setor de tecnologia e transformaram a forma com que os gestores procedessem em praticamente todas as áreas da empresa em que haja processos de desenvolvimento de projetos.

A elaboração do Manifesto Ágil, em 2011, uma declaração de princípios do desenvolvimento ágil de software, é um marco nesse sentido. Uma ideia foi construída com base em quatro valores:

  1. As interações das pessoas são mais importantes que procedimentos e ferramentas
  2. O desempenho do software é mais relevante que a documentação
  3. Antes de negociar o contrato, a pessoa deve colaborar com o desenvolvimento do software
  4. A capacidade de resposta às contingências tem mais importância do que ter um plano pré-estabelecido.

Esse contexto em que os gestores buscavam mais agilidade de processos e os líderes consolidavam a percepção do valor da colaboração, gerou uma espécie de adaptação do UX às necessidades dessas empresas, principalmente se levarmos em conta o olhar do Marketing: o Design Sprint.

“Não há o certo e o errado pois tudo depende da cultura, da metodologia que melhor se encaixa ao contexto.”

Melina Alves

O Design Sprint é uma redução do Design Thinking usado para resolver problemas de produtos ou serviços já existentes cujo principal valor é a velocidade do desenvolvimento de soluções e a simplificação do processo que permite a redução de custos.

Vale ressaltar que o Design Sprint não é uma evolução do Design Thinking. Eles são processos diferentes, sendo o Sprint uma redução do Thinking e cuja aplicação demanda outro momento do processo de desenvolvimento de projetos.

Enquanto no Design Thinking, o contexto é analisado e hipóteses ainda estão sendo levantadas para o desenvolvimento de possíveis soluções, no Design Sprint as decisões já foram tomadas e questões referentes à experiência de uso estão sendo resolvidas com o aval do usuário.

Ou seja, no Sprint, as pessoas entram na etapa de validação da proposta desenvolvida para produtos, serviços ou soluções urbanas enquanto do Design Thinking a colaboração do usuário começa antes mesmo da concepção desta solução.

A colaboração do usuário se dá por completo quando o Design Thinking antecede o Design Sprint em um mesmo ecossistema de desenvolvimento de projetos.

Mas a percepção estratégica do usuário nos processos é atingida quando o valor de sua experiência está na cultura dessa organização que traz não só a preocupação colaborativa, como a mentalidade inovadora.

Cultura de UX

Construir na organização um ambiente favorável à inovação a partir da cultura da empresa baseada em valores éticos, com objetivos centrados no usuário é um processo que deve envolver toda a empresa.

Não se trata de uma definição de cima para baixo. Ela deve ser construída com o engajamento de toda a organização, de todos os departamentos agindo colaborativamente para que esses valores sejam consolidados e norteiam suas decisões estratégicas.

“Na ótica do UX, a oportunidade de inovação está nos próprios colaboradores da empresa como primeiros usuários de seu produto ou serviço. É muito importante trabalhar essas soluções com os clientes da casa.”

Melina Alves

A presença do especialista de UX junto ao RH facilita o alinhamento dos times pelo incentivo a empatia entre diferentes equipes. Assim, a presença dos laços de união intradepartamental ou presentes nas equipes de desenvolvimento passa a costurar todas as relações na empresa, engajando-a nesse processo de valorização da colaboração, inovação e atenção ao usuário.

O designer de experiência e os profissionais de RH devem trabalhar juntos pela construção desse ambiente de engajamento dos colaboradores na consolidação da cultura de inovação na empresa.

Reduzir o clima de competição, investindo em estratégia de longo prazo e no diálogo, reconfigurando a ideia de performance com base em índices mais humanos, é uma opção para que as empresas se desenvolvam em direção ao futuro.

Um futuro em que não basta pegar o bonde mas fazer com que todos os passageiros se sentem na janelinha.

--

--

Todo mês, 01 artigo da DUXcoworkers.com sobre os assuntos: pessoas e trabalho, economia e tecnologia e cidades inteligentes. #servicedesign #userexperience

Love podcasts or audiobooks? Learn on the go with our new app.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store
DUXcoworkers

DUXcoworkers

Todo mês, 01 artigo da DUXcoworkers.com sobre os assuntos: pessoas e trabalho, economia e tecnologia e cidades inteligentes. #servicedesign #userexperience